História
agosto 15, 2026
Visita contestada de Putin às Ilhas Curilas empurra relações Japão-Rússia de volta à confrontação
A primeira visita de Putin a Iturup intensificou uma disputa territorial que nunca terminou, com Moscou reafirmando sua soberania e Tóquio alertando que o gesto mina qualquer perspectiva de melhoria nas relações.
A primeira visita de Vladimir Putin às disputadas Ilhas Curilas transformou uma longa disputa territorial em um novo confronto diplomático, forçando Japão e Rússia a defender versões fortemente incompatíveis da ordem do pós-guerra.
A resposta imediata de Tóquio foi de protesto. Um veículo conservador descreveu a viagem como motivando uma objeção formal do Japão, enquanto uma reportagem de viés liberal detalhou a convocação do embaixador russo pelo ministro das Relações Exteriores, Toshimitsu Motegi, e a declaração da primeira-ministra Sanae Takaichi de que a visita era “absolutamente inaceitável”.1 Tóquio afirma que as ilhas — conhecidas no Japão como Territórios do Norte — pertencem ao Japão “tanto historicamente quanto segundo o direito internacional”, e considera a presença de Putin ali incompatível com sua posição estabelecida.2
Moscou, em contraste, apresentou a visita como um exercício de soberania indiscutível. Putin visitou um hospital, se encontrou com moradores e visitou uma unidade de processamento de caviar em Iturup, conhecida na Rússia como Etorofu. Posteriormente, ele afirmou que as quatro ilhas em disputa eram reconhecidas como russas em documentos internacionais e acusou o Japão de tratar a Rússia como uma ameaça ao mesmo tempo em que mantém suas próprias reivindicações territoriais.2
A disputa remonta à tomada das ilhas pela União Soviética nas semanas finais da Segunda Guerra Mundial. Ela tem bloqueado um tratado formal de paz, apesar de esforços anteriores de Shinzo Abe e Putin para retomar visitas a túmulos e discutir um acordo. Esses esforços se deterioraram depois que o Japão impôs sanções à Rússia após a invasão da Ucrânia em 2022.
As narrativas concorrentes também escondem interesses práticos: as ilhas controlam um acesso estratégico e ricos pesqueiros, enquanto sua soberania permanece ligada às memórias de cerca de 17.000 ex-moradores japoneses e à presença de cerca de 20.000 cidadãos russos hoje. A visita de Putin não resolve essa história; ela fortalece publicamente a reivindicação de Moscou e reduz a margem de manobra diplomática de Tóquio.